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Bandalheira Nacional

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HOMO POLÍTICUS

22
Set22

Num mundo justo, com igualdade de oportunidades, teria hipótese de exprimir os meus sentimentos e opiniões num debate radiofónico ou televisivo. Como a realidade é bem diferente, tenho de aturar os peneirentos que têm lugar cativo nesses debates. Talvez um dia me convidem para um qualquer evento público ou consiga vencer o Euro Milhões (sinceramente, entre um e outro, será mais fácil ficar milionário). Como espectador vou descarregando a minha frustração no teclado do computador, ao mesmo tempo que escuto dois comentadores desportivos explicar que os grandes clubes europeus querem contratar o jogador Bruno Fernandes, mas nenhum avança com propostas. Minutos depois, o programa seguinte dá voz a outros dois comentadores políticos que explicam as medidas severas tomadas pelo Governo para resolver a crise energética. Dou por mim a pensar que os grandes clubes europeus deveriam fazer uma proposta para contratar membros do Governo (e demais figuras políticas) em vez do jogador português. Sempre ficava mais barato e uma limpeza de balneário (neste caso, Assembleia da República) vinha mesmo a calhar…

 

Tendo por base o recente arrufo dos combustíveis (no qual se anunciou erradamente o fim do mundo) podemos esmiuçar o fantástico serviço público das forças partidárias e deduzir que, com estes protagonistas, continuamos a reforçar o estatuto de parente pobre do projecto Europeu. Enquanto o PS (Partido Socialista) primou por aniquilar toda e qualquer vontade de imobilizar os camiões – mesmo que os motoristas parecessem figurantes do “Walking Dead” – os outros partidos, pura e simplesmente, desapareceram de cena! O PSD (Partido Social Democrata) demorou vários dias para abdicar do silêncio e só reagiu quando foi criticado publicamente por um militante. O CDS (Partido Popular) teve uma reacção completamente bizarra: apoiou a intenção do governo, agindo como uma filial dos socialistas! O BE (Bloco de Esquerda) também andou por parte incerta. Nunca a Catarina Martins esteve tão insensível com uma manifestação de trabalhadores. O PAN (Pessoas, Animais e Natureza) continuou a celebrar a eleição de um deputado para o Parlamento Europeu. Mais depressa defendem os direitos de um rafeiro num restaurante que um camionista que come dentro do camião! O único que – aparentemente – esteve eufórico foi o PCP (Partido Comunista). Durante uma semana recuaram no tempo para viver os tempos áureos do comunismo puro: a racionalização cingiu-se apenas ao combustível, mas foi algo de incrível e deu para matar saudades. Avante, camaradas!

(originalmente publicado: Setembro, 2019)

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